Cartografia do Tempo

“Cartografia do Tempo” é um poema sobre a passagem da vida, os caminhos que seguimos e os sentimentos que nos acompanham — amor, saudade, dor e esperança. Entre memórias e mudanças, os versos mostram que, mesmo com as incertezas do futuro, sempre existe espaço para recomeçar.

20/03/2026 16:11
2 min.
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Cartografia do Tempo

Lorrane Dias

O futuro nos chama em silêncio distante
como estrada aberta, incerta e constante.
Seguimos no mundo, passo inseguro
com o olhar perdido diante do escuro.

Aprendemos cedo o peso da dor
mestra severa que molda o amor,
pois sem o amor, em sua verdade
a própria existência seria saudade.

A mágoa repousa, discreta e presente
cicatriz viva gravada na mente.
Talvez na velhice possamos enfim
rir dos caminhos que trouxeram até aqui.

Mudamos de cidade, cruzamos o chão
buscando no longe alguma razão.
Quem sabe às margens do Mississippi azul
entre Tennessee e o vento do sul.

Mas sempre regressa, firme e sem idade
a doce presença da saudade.
Ela nos leva, sem pedir licença
à casa antiga da infância imensa.

A vida escorre num breve piscar
como areia impossível de segurar.
E só percebemos, tarde talvez
que o tempo jamais retorna outra vez.

Da morte ninguém pode se esconder
qualquer caminho pode nos perder,
às vezes chega sem anunciar
como a pneumonia roubando o ar.

Na linguística muda do existir,
há sentimentos difíceis de traduzir.
Entre lógica, sonho e mística
descobrimos viver como arte logística.

Entre o ódio que insiste em ficar
e o amor que aprende a recomeçar
seguimos humanos, sem perfeição,
carregando o mundo dentro do coração.

E quando o fim parecer chegar
talvez seja só o tempo a ensinar
que o futuro não é despedida fria
é a esperança escrevendo outro dia.

Lorrane Dias Barbosa

Lorrane Dias Barbosa

Autor

Bio
Lorrane Dias é uma amante da palavra escrita, que transforma sentimentos em poesia com intensidade, delicadeza e verdade. Naturalmente sensível e observadora, encontra na escrita um refúgio para as emoções que transbordam e não cabem no silêncio. Suas poesias exploram os labirintos do desejo, da saudade e das relações humanas, sempre com um toque de profundidade e confissão. Acredita que cada verso é uma forma de tocar o outro — mesmo quando fala de dores secretas, amores impossíveis ou paixões que desafiam a razão. Sua escrita é um espelho das emoções que não pedem licença para existir.